Nada mais significativo para a publicidade do que a figura oportunista do papai noel. Um velhinho vestido de vermelho, trazendo um
saco enorme de presentes para nossas
comportadas crianças e que aparece no final do ano gregoriano pra roubar a cena do aniversário programado de um suposto salvador do mundo. A verdade é que não há motivos para uma celebração fora do sistema
consumista, no qual o ser humano se enquadra seja onde estiver. Hoje em dia não existe uma cerimonia se quer, que não misture a necessidade eminente de consumir algo custoso durante o decorrer da festa, para somar com o sentimento eufórico que a comunhão do evento causa, tornando o momento um
ecstase de puro glamour, onde todos esbanjam o que tem e o que podem dar, graças ao afortunado ano que se passou em suas vidinhas medíocres e mesquinhas. Hoje aconteceu comigo um episódio hilário na
praça da Liberdade em BH. Um grupo de
malabaristas oportunistas estava aproveitando o movimento da praça devido à decoração hiper iluminada de natal posta pela prefeitura, para ganhar um troco fazendo uma apresentação convencional de malabarismo e
pirofagia, e quando eles iam rodar o chapeu para o público, passa a caravana de caminhões da COCA-COLA toda iluminada, tocando a música de natal da propaganda do refrigerante, com um homem vestido de
papai noel em cima de uma caminhonete e duas top models ao seu lado usando mini saia e gorrinho vermelho. Todas as crianças que estavam vendo a apresentação dos malabaristas sairam correndo pra ver os caminhões e acenar pro
"bom velhinho", enquanto os pais das mesmas olhavam para as pernas das top models em cima do caminhão. Puta que pariu! foi o maior exemplo de como que funciona a lei da publicidade e propaganda. "Vende o produto, aquele que consegue roubar a cena e ficar por cima, de uma forma ou de outra". Eu como malabarista, fiquei com dó da trup que se apresentava ali, mas por outro lado, como publicitário, dei boas risadas da situação e aprendi mais uma lição perversa e canibalesca da Publicidade e Propaganda.